Histórias da minh'alma
15 de Novembro de 2010

 

AMO-TE MUITO!!!

 

Imaginado por ... Diana V. às 00:01 Elo da História
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13 de Outubro de 2010

 

 

Há tantas vozes nos meus silêncios que acabo por me distrair em vez de me abstrair

 

Quem sou?

 

Quando a vida que me corre nas veias se aparta de mim…

Sou metade?

 

Como um sonho meio tecido? Ou uma tela por colorir…?

 

E a que sabe?

 

A morte da musa às mãos do artista frustrado…

 

É doce, é salgado…? É poema por concluir…?

 

É vida…?

 

Dessa que me dizem que há-de vir…

 

Para onde foi?

 

E estas vozes que me distraem abruptamente do meu silêncio…

 

Sou eu…?

 

 

Diana V.

 

Imagem retirada da internet

Imaginado por ... Diana V. às 01:23 Elo da História
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10 de Outubro de 2010

Os primeiros anos da minha vida foram vividos entre Lisboa, na casa dos meus avós e Almada na casa dos meus pais. Sempre gostei mais de Lisboa, das suas cores, dos seus cheiros, das suas pessoas. Lembro-me com carinho dos passeios de mão dada com o avô, de como me dizia sempre o nome da rua por onde passávamos e em cada uma delas me contava uma história. Sei-as de cor, as ruas e as histórias. Herdei dele o gosto por tecer contos com fios de acaso, mas não o sentido de orientação, sei o nome das ruas e continuo a perder-me, distraio-me com as histórias que elas me contam, tal como a Capuchinho Vermelho procuro flores, nem sempre ouço conselhos e a maior parte das vezes ignoro o perigo. O avô abandonou-me poucos dias depois de eu ter completado oito anos, levou com ele o retrato de todas as ruas por onde passámos e deixou-me todas as histórias que elas nos contaram. Ainda hoje a saudade me dói, mas a herança não podia ser melhor, valores e princípios para a vida. Todos os dias ele engraxava as minhas botas ortopédicas, sabia que eu as detestava, lembro que me dizia - Vês assim ficam mais bonitas, todos vão querer umas botas iguais. Apesar de todas as explicações sobre morte que se esforçaram para me dar naquela altura, nunca ninguém respondeu às minhas principais questões: - Quem iria engraxar as minhas botas ortopédicas? Quem iria atar os meus atacadores? Não houve ninguém que o substituísse nessas tarefas, o que foi lamentável pois nessas alturas eu sentia-me mesmo muito importante...

 

 

(Eu era a tua favorita, o fenómeno como tão carinhosamente me chamavas, porque perguntava tudo, respondia a tudo e mesmo sendo menina nunca me comportava como tal. E agora 22 anos depois beijo cada um dos nossos momentos, sabem-me a Lisboa e aos fados que ouviamos... e porque hoje a saudade me dói, quero ouvir fados, quero estar triste, chorar até adormecer agarrada à tua fotografia, para amanhã acordar com um sorriso, olhar-me ao espelho e lembrar-me que ainda sou um fenómeno... Fazes-me falta!)

 

Imaginado por ... Diana V. às 17:45 Elo da História
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04 de Outubro de 2010

Há pessoas que nos fazem transbordar a alma…

Que nos dizem a vida no silêncio de um olhar

Que trazem o sol de cada dia

Mesmo que estejam a quilómetros de distância …

Há pessoas que são gente, e eu gosto de gente…

Gente que ri, que chora, que canta, dança ou fica apenas em silêncio…

Há pessoas que são as “nossas” pessoas desde sempre

que mesmo quando não estão, é como se nunca tivessem saído do nosso lado

Há pessoas que são gente, e eu gosto de gente, gente como TU!!!

PARABÉNS AMIGA DE MINH’ALMA!

 

Quimera

Imaginado por ... Diana V. às 00:00 Elo da História
27 de Setembro de 2010

 

 

 

Sintra, 27 de Setembro de 2010

 

Há exactamente três anos, no dia 27 de Setembro de 2007 no dia em que fiz 27 anos, ergui um copo de vinho no jantar no meu aniversário, e brindei às mudanças que esse ano me iria trazer, lembro-me de dizer:

- Este ano a minha vida vai mudar! – Ergueram-se os copos e o meu comentário passou completamente despercebido até ao dia em que com 27 anos virei a vida do avesso e sacudi-lhe o pó, com ele foi-se embora tudo o que já não me fazia falta ou me impedia de continuar, perante a surpresa de todos os que não me ouviram, ou simplesmente preferiram ignorar.

Nem mesmo eu tinha consciência da profundidade que meu desejo de mudança iria alcançar, as perdas, os ganhos, as vitórias e as derrotas, lembro-me a cada dia, cuidado com o que pedes.

Hoje dia 27 de Setembro de 2010 faço 30 anos, ergo a taça e brindo às mudanças do passado que me permitiram chegar até aqui, brindo aos que chegaram, aos que partiram e aos resistentes que ficaram, brindo a todos, porque com todos aprendi, cresci e valorizei tudo o que é de facto importante, tanto nos braços abertos, como nas costas voltadas. Brindo às minhas escolhas, feitas por mim e para mim, sou lobo e não acompanho rebanhos, estou onde me quero, com quem quero e não onde me esperam. Sei que a jornada é apenas minha, são os meus pés naquele trilho, eu e apenas eu poderei decidir como o fazer. Brindo às conquistas lentas e árduas, às perdas rápidas e dolorosas. Brindo às vitórias e também às derrotas, pois de cada vez que caí aprendi a levantar-me e a ser mais atenta às pedras no caminho. Arrumei finalmente o que estava espalhado pela vida, lavei tristezas, limpei a alma. Hoje, aos 30 anos, tenho apenas uma tela em branco, sinto-me grata, estou finalmente preparada para criar a minha obra-prima. Hoje brindo a mim e a todos que contribuíram de alguma forma para melhorar os meus dias nos últimos três anos. Brindo à continuidade de presenças tão importantes na minha vida nos anos que virão.

 

Cheers!!!

 

Diana V.

Imaginado por ... Diana V. às 00:01 Elo da História
Minh'alma está...: B-DAY GIRL!
03 de Maio de 2010

 

 

Palavras para uma Imagem:

FábricaDeHistórias

 

 

 

Todos os dias de manhã Laura repetia o ritual, preparava-se meticulosamente, comia um pequeno-almoço saudável e baixo em calorias como a mãe lhe recomendara, alimentava o canário, certificava-se que a porta da rua ficava bem trancada e saía para o trabalho.

Caminhava em passos largos e de olhos no chão, não fosse o azar bater-lhe à porta e num cruzar de olhos despertar os demónios adormecidos. Evitava assim o perigo de se deixar consumir novamente pelo Inferno, evitava também a Alegria de se deixar acalentar pelo fogo. ESCOLHAS. Mas cautela e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém, para além disso como “boa” rapariga que era não se devia dar a devaneios. Ainda ontem a mãe lhe contara que a Raquel do 2º andar tinha fugido com um artista que pintava com as mãos, pobre rapaz sem eira nem beira que nem sabia que para pintar é preciso usar um pincel, e ela, a fugitiva tinha a vida desgraçada, onde é que já se viu trocar um casamento feliz pelo incerto, aquela rapariga sempre fora estranha, passava a vida a cair e a bater com o rosto nos móveis. Coitadinho do Senhor Engenheiro, casou com uma vadia, é o que é.

O emprego era calmo, aborrecido e rotineiro, mas o salário era certinho e o montante razoável, segurança acima de tudo, porque isto está tão mau, quem os têm há que os manter. Laura queria ser bailarina, dançar até não sentir o corpo e a alma tocar no céu. Teve o Mundo nas pontas dos pés e com os dedos alcançou as estrelas, subia ao céu e descia ao inferno quando dançava. (Just a steel town girl on a Saturday night looking for the fight of her life in the real time world no one sees her at all, She’s a maniac*). Desistiu da dança, tinham-lhe dito que não era forma de ganhar a vida. Laura tinha um sorriso sublime capaz de iluminar a mais triste das madrugadas, no entanto, no emprego não arriscava sorrir, não queria ofender as tristezas e desgraças alheias. Ninguém lhe tinha dito que eles já estavam mortos naquela “quase vida”, senão teria ignorado cada vez que em sussurro e com voz doce lhe diziam: - Vem por aqui**. - Essa talvez fosse a sua maior desgraça ou a única que tinham.

Voltava para casa sempre à mesma hora, pelo mesmo caminho e cabisbaixa, não fosse o diabo tecê-las. Quem procura encontra e sabe-se lá o que é que se pode encontrar. E se porventura Hades saísse do Metropolitano e a levasse até lá onde o sol não chega? Ninguém quer viver no Reino das Trevas, mesmo que já lá esteja.

A porta estava trancada, abriu-a, entrou e deixou a mala e o casaco no sítio de sempre. Passou pelo espelho em direcção à cozinha, sem se olhar e se o fizesse talvez não se visse reflectida nele.

A gaiola do canário tinha ficado por fechar e a janela estava entreaberta, no entanto ele não tinha fugido, estava exactamente no mesmo sítio de sempre

Colocou a gaiola em cima da mesa, sentou-se em frente a ela e ficou a olhar para o canário preso na gaiola aberta. Porque não fugiu? – Pensava. Não deu pelas horas a passarem, ali ficou em silêncio a observar até ao romper da aurora.

Todos os dias de manhã Laura repetia o ritual, preparava-se meticulosamente, comia um pequeno-almoço saudável e baixo em calorias como a mãe lhe recomendara, alimentava o canário, certificava-se que a porta da rua ficava bem trancada e saía para o trabalho.

Esta manhã foi diferente.

Laura não pode deixar de esboçar um sorriso quando olhou para os objectos dispersos em cima da velha mesa da cozinha, um pássaro preso numa gaiola aberta, um balde tão vazio como ela, uma maçã vermelho pecado e uma laranja azeda, nunca gostou de laranjas, mas disseram-lhe que fazia bem.

- Ele podia ter fugido mas não sabia que podia  voar.

Escolheu a maçã, tirou o canário da gaiola, agarrou no balde e saiu sem trancar a porta.

Nunca mais voltou à casa onde o espelho não a reflectia, chamou virtude ao pecado, libertou o canário pelo azul infinito e o balde usou-o para guardar as estrelas que apanhou sempre que dançava.

 – Rapariga louca! - Dizem as más-línguas. Consta que encontrou um Demónio que a levou para o Reino das Trevas, onde hoje vive iluminada.

 

  Ela apenas não sabia que podia voar. 

 

Texto de : Diana V.

Palavras para uma Imagem:

FábricaDeHistórias

*Maniac – Flashdance

** Cântico Negro – José Régio 

Imaginado por ... Diana V. às 04:16 Elo da História
29 de Março de 2010

Quanto de ti, Saudade

Há nas minhas horas desertas …

Quando em ânsias me despertas

Tão tortuosa eternidade

Neste tempo que me dói

P’lo tempo que já foi

E que me traz tanto de ti… Saudade

No eco das palavras ditas

No oco das que não foram escritas

Rasgam-se mil pedaços de mim

Não principias, nem tens fim…

Saudade…

 

 

(Texto de minha autoria Para a FábricadeHistórias)

Imaginado por ... Diana V. às 04:39 Elo da História
20 de Março de 2010

Maria era filha das Boas Intenções, das mesmas que enchem o inferno, onde as aparências iludem e as ilusões são aparentes. Nasceu a meio do tormento, era uma criança abençoada, vinha com as mãos cheias de nada e nada havia para as encher.
Chamaram-lhe Maria porque o Registo Civil não aceitou Tragédia, pois todos os que souberam do nascimento da miúda - Exclamaram boquiabertos e de olhos esbugalhados – Oh que tragédia, mas eles são tão novos!
Eles eram os pais, os progenitores, dadores da genética, não daquela estética, mas da que dá dores, fortes dores de cabeça, não a eles, aos outros, e os outros seriam os tolos que confundiam a mais elevada representação do amor com a irresponsabilidade em estado puro.
- Falta-lhes a experiência. – Diziam uns – É da idade. – diziam outros.
Mas que importa o que dizem, Maria era orgulhosamente fruto do capricho dos seus pais.
A criança abençoada, falhou logo ao nascer, não trazia manual de instruções. Era artigo com defeito, culpa da genética, tinha uma forte predisposição ao erro, distraiu-se na linha de montagem e veio com umas quantas peças a menos. Como quem sai aos seus não degenera (mas às vezes desespera) a regra foi cumprida pau que nasce torto nunca se endireita, ela podia até ter sido a excepção, tinha vocação para tal segundo dizem os iluminados, mas escolheu ser a regra, para não contrariar a tal da genética , podia provocar dores de cabeça e assim manter a tradição.
Não há problema, já naquele tempo se dizia: Tudo se cria.
Erro crasso número um, à falta do manual de instruções puseram-se com invenções quando para isso não eram dotados, armaram-se em campónios e não sabiam criar e mesmo que o soubessem continuavam a errar, porque criar, criam-se pintos, leitões e borregos.
Eram outros tempos…

Texto para a http://fabricadehistorias.blogs.sapo.pt/

Imaginado por ... Diana V. às 23:51 Elo da História
01 de Março de 2010

 

Em LUXURIA minha boca gulosa
Se consome p’la tua
Em laivos de poesia ou de prosa
E o meu corpo sedento
Bebe no corpo teu …
Com GULA o alimento
Que o teu olhar me prometeu
E se em ORGULHO te desejo
Se com VAIDADE te beijo
Será a IRA dos sentidos…?
E se nos forem Proibidos!?
Por INVEJA do almejo…
Com AVAREZA os protejo
São em nós sagrados…
Estes, sublimes PECADOS…

 

Imaginado por ... Diana V. às 00:12 Elo da História
Minh'alma está...: em pecado
21 de Fevereiro de 2010

 

As vozes na televisão trazem a sensação de uma companhia que não está presente, refugio-me atrás de um ecrã onde abraço virtualmente amigos que imagino ter, o telefone vibra, traz correio sintético, no fim da mensagem um beijo, não lhe sinto o calor.
Sorrio, finjo não perceber que tudo o que demais me chega é mentira, a verdade vem carregada de lanças que ferem, sorrio à mentira para não chorar a minha triste verdade.
Lá fora chove violentamente, o frio faz-se sentir dentro de casa, ligo o aquecedor no máximo, o calor que me aquece o corpo faz-me esquecer o quão fria está minh’alma, ao meu redor abundam ilusões electrónicas que mascaram a solidão permanente, cresce todos os dias a olhos vistos alimentada por electricidade e pilhas. Disfarço e olho para o computador, se a ignorar talvez se vá embora.
Procuro mulheres em sala frias de paredes brancas decoradas com letras negras, fazem-me sentir especial, mandam-me beijos e desatam-me o desejo. Do outro lado do monitor são perfeitas, lindas e vão amar-me intensamente até acabar a bateria do portátil, o amor tem cinco horas de autonomia no máximo. Não vão acordar comigo, não vou vê-las de cabelos desgrenhados e sem maquilhagem, não vou sentir o calor de um corpo, nem um abraço reconfortante, os meus lábios definharão, secos e frios, porque não serão acalentados por um beijo. Nunca irão ver as tristezas e os cansaços que o meu espelho reflecte, nem terão a oportunidade de me amar pelo que vêem, vejo-me triste e cansado, como poderiam os seus olhos encontrar beleza em tanta amargura, como poderiam amar-me?
Estou farto do Inverno, a chuva bate em tons de desespero na janela, abunda o cinzento, num céu que os meus braços já não alcançam. Acendo as luzes todas, sobre mim brilha um sol de cem volts, pois o outro que enfeita os céus, há muito que deixou de brilhar.
Os relâmpagos rasgam os céus, sinto-os, parece que me rasgam o âmago, trovões ruidosos proliferam no negrume para lá da janela, ferem-me os ouvidos. Ligo a aparelhagem, o vinil toca melodias de memórias outrora felizes. Distraio-me, mantenho-me inconsciente num mundo de fantasia, se tomar consciência da realidade, tudo será fragmentos e pó.
A tempestade insiste, a electricidade cede, findou-se. Ao meu redor tudo se apaga, maldito Inverno. A máscara de energia que ocultava a solidão desvanece. Sem mais para onde olhar, sou obrigado a encará-la, está nua, é gélida e dilacerante. Traz nos seus olhos toda a verdade da minha existência. Toma-me nos seus braços, reclama a posse há muito prometida, o abraço apertado no meu corpo parte-me a alma, há estilhaços pelo chão. A ausência das minhas ilusões desperta-me da mentira da minha vida. Quando tudo falha, entendo o meu fracasso, corrompi-me pela felicidade fácil, construi muros e muralhas à minha volta em vez de pontes, esqueci-me de viver. Estou só e morto no frio Inverno da minha vida.

(texto fictício para FabricadeHistórias ) por Diana V.

Imaginado por ... Diana V. às 15:11 Elo da História
07 de Fevereiro de 2010

 

Fui ver como estava, encontrei-o ajoelhado junto à cama a orar em sussurro. Nas mãos que pareciam papel amachucado segurava um terço, por cada conta dedilhada deixava cair uma lágrima.
Toda a vida fora ateu e agora que ela se escoava pela peneira do tempo, tornara-se crente. Compunha-se numa urgência de acreditar em tudo o que negara existir, já não possuía os valiosos e reluzentes “anéis”, tudo se fora, ficaram os dedos e esses estavam gastos pelo tempo que ele sempre esbanjou. Estava nu, despido do orgulho e da prepotência que sempre o caracterizou. Sozinho, vitima dos abandonos que forçou, chorava por tudo o que não tinha feito, lamentava em desespero nunca ter aprendido a amar.
Sinto pena pelas penas que lhe sinto. Entre lágrimas e preces murmuradas, sente a minha presença, ao virar-se encontra os meus olhos, nos dele traz a humildade que nunca lhe tinha visto.
- Estás aí há muito tempo…?
- Contados em minutos ou em lágrimas? – Pergunto-lhe.
- Em lágrimas, são mais que os minutos, assim a minha solidão seria menor…
- Não serei eu que reduzirei a tua solidão, nem posso aumentar o tempo que te resta, mas se te serve de consolo acompanhar-te-ei até onde me for permitido…
- Não me abandones, fica junto de mim…
Penso nas alturas em que me abandonou, ao destino, à sorte e à falta dela. Invade-me a memória todas as vezes que não esteve presente, na escola, em casa, na vida, nas minhas vitórias, mas sobretudo nas minhas derrotas. Foram tantas as vezes que na sua ausência orei pela nossa proximidade, me debati com a vida para que um dia se orgulhasse de mim, tombei e prostrada no chão a gemer de dor, guardei secretamente a esperança de que as suas mãos fortes me erguessem do frio asfalto. Lembrei-me de quando lhe disse que o amava, num gesto demorado, disse-me apenas que gostava de mim. Não percebeu o meu grito em silêncio, a minha tentativa desesperada de me sentir importante para ele. Sento-me junto dele, entre as minhas, seguro as suas mãos velhinhas.
- Seria incapaz de te abandonar, o amor que sinto não havia de permitir…
- Tenho tanto orgulho em ti, sabias filha?
Se ele soubesse o quanto esperei por estas palavras. Poupo-o das acusações, não mudariam nada.
- Não! Não sabia, mas soube-o agora, esperei por este dia grande parte da minha vida. Hoje é um dia especial…
Sorri e abraça-me.
- E que dia é hoje?
A memória há muito que deixou de lhe ser fiel, hoje, 6 de Fevereiro é o dia do seu aniversário.
- 30 de Fevereiro Pai, o dia que hoje existe só para nos trazer tudo o que não nos foi permitido viver, amo-te sabias?
- Eu também gosto muito de ti, filha…
Creio que me ama, mas não sabe como dizer, sinto-o. Hoje no dia que o calendário não marcou eu tive a resposta para a dúvida que me perseguiu em todos os dias que existi.
30 de Fevereiro de um ano qualquer…
(Texto de ficção para a FábricadeHistórias)
Diana V.
Imaginado por ... Diana V. às 14:12 Elo da História
Melodias de Minh'alma: Cats in the Cradle - Ugly Kid Joe
03 de Fevereiro de 2010

Na velha biblioteca os livros amontoavam-se pelas prateleiras cobertas por uma delicada camada de pó, pulsavam, palpitavam como se um sopro de magia os tivesse acariciado, tornando-os vivos. Nos labirínticos corredores cheirava a histórias, o aroma indescritível das páginas, das palavras e da imaginação percorria o ar, tornando aquele lugar encantado.
Num canto recôndito da biblioteca, um livro particularmente diferente captou a minha atenção, tinha uma luz diferente dos demais, como se tivesse sido submerso na luz do luar, exalava um odor de mistério, e em sussurro suplicava que lhe tocasse.
Curiosa e impaciente, ignoro as tabletas com os avisos – Proibido Mexer, perigo de perder o bom senso e risco de delírios. Aproximo-me para conseguir ler o título que ora aparecia, ora desaparecia, como se quisesse jogar às escondidas comigo, finalmente surge perceptível – FÁBRICA DE HISTÓRIAS – impulsivamente seguro-o entre as minhas mãos, a capa era agradável ao toque, despertava um ligeiro formigueiro na ponta dos meus dedos.
- Quem será o autor? - A dúvida consome-me.
Um misto de medo e curiosidade invade-me, mas como esta última, por norma domina os meus sentidos, não me contenho, abro-o. Para meu espanto, em vez do nome do autor, encontro um pequeno espelho e uma frase que dizia o seguinte:
Escreve, se puderes, coisas que sejam tão improváveis como um sonho, tão absurdas como a lua-de-mel de um gafanhoto e tão verdadeiras como o simples coração de uma criança (Ernest Hemingway)
Ansiosa, viro a página, deparo-me com um estranho anúncio de recrutamento:
OPERÁRIOS (AS) PRECISAM-SE
Com a cabeça nas estrelas e as mãos no arco-íris.
Para projecto de UTOPIA, tecido por SONHADORES.
Oferece-se: Tudo o quanto a imaginação, o sonho e a fé conseguirem alcançar
LOCAL: TERRA DOS SONHOS
O meu interesse aumenta, apressadamente passo para a página seguinte, nada, vazia, imaculada, e assim sucessivamente as páginas não continham histórias, palavras, nem sequer uma única letrinha. Desfolho o livro com a urgência de encontrar algo mais, das páginas desertas, cai um bilhete – VIAGEM DE IDA: DESTINO: TERRA DOS SONHOS.
Debruço-me para o alcançar, à minha volta tudo começa a girar, tão rapidamente que cores e livros se misturam entre si, perco o equilíbrio e caio para dentro do livro. Desço em espiral a uma velocidade fora do comum, à minha volta caem letras, palavras, livros e personagens imaginárias.

 

Subitamente surge diante de mim uma nuvem branquinha, uma mão alcança-me, - Quem és? Pergunto à menina de tranças, com um vestido cor de malva que estava sentada ao meu lado
- Sou a Ametista, como a pedra preciosa, e tu?
- Maria das Quimeras, p’los  castelos de sonho que ergui.
A descida torna-se amena e consigo contemplar tudo o que se passa ao meu redor.
Existem SoManyStories tantas quantas pude contar,
E letras perdidas como KI,  DF ou V de voar
Em LinhaseLetras se tece magia
E fabricam-se histórias pelas mãos da Maria
Há um Raio-de-Luar misturado com SoprosDeMar
Que aqui vai criando Reflexos d’encantar
Uma princesa Apaixonada
Numa torre de Marfim
E uma estrela brilhante chamada Sindarin
Para quem estiver Perdido e Desorientado
Dê a mão à Quietação
Ou então abra o Closet onde se guarda a imaginação
Num jardim proibido
Escreve um PÉ DE LARANJA LIMA, uma MAGNÓLIA ou um malmequer
E podes SENTIRSEMSENTIDO
Ou ser PoetaPorqueDeusQuer
Há caneta, papel e lápis nas mãos da ANA
E também nas da MARIANA, do ALBERTO, da JO e da JIANNA
Temos uma Sonhadora na Lua (MoonDreamer)
GENTES E TOIROS pela rua
O P-ESTRANGEIRO e a CARLA RIBEIRO
Lá se vai SONHANDOAOSQUARENTA, aos vinte e aos trinta e um,
com Alfa, Alice, Azoriana, Cloudy , Dany, Ennoea, Ferdi, Filipe Pina, Futebol, Lara, Lazy Cat, Mafalda, Raquel, Rolls, Sky, SurfistaPrateada, Taniam Heidi e já não falta nenhum.
Chegamos finalmente ao destino, as portas abrem-se diante nós como as páginas de um LIVRO.
Temos alguém à nossa espera, com um sorriso radiante e o sol no olhar.
- Sejam bem vindos nobres operários, eu sou a Helena e estou aqui para vos lembrar que o Céu é o Limite.

 

 

O meu primeiro post no meu meu primeiro blog Sentidos Proibidos foi para a Fábrica de Histórias, quando criei o Histórias da minh'alma foi para os textos da Fábrica, VESTI A CAMISOLA e sinto-me da "CASA". Sou ORGULHOSAMENTE uma operária!

OBRIGADA MARIA HELENA pela tua dedicação a este projecto ÚNICO que une todos aqueles que amam as letras.

Através da Fábrica conheci e ganhei amigas, únicas e especiais, que agora fazem parte do meu circulo pessoal!

 

ESTOU GRATA POR TEREM CRUZADO O MEU CAMINHO, ORGULHO-ME DE FAZER PARTE!

 

Diana

Imaginado por ... Diana V. às 00:08 Elo da História
Minh'alma está...:
21 de Janeiro de 2010

 Hoje apeteceu-me voltar a publicar este, estou farta dos dias frios....

 

A Primavera do teu olhar

 

A janela do meu quarto parece uma tela, criada por um pintor com alma de poeta, lá fora os campos verdejantes salpicados por flores coloridas sustentam o céu que ao longe perfaz o harmonioso quadro que invade sem permissão o meu quarto, mais uma Primavera chegou…
Sento-me sobre a cama onde me fizeste tua pela primeira vez, o teu aroma mantêm-se nos lençóis de cetim, tão intenso, que nem as flores que desabrocham lá fora o conseguem superar, quase que consigo sentir a tua presença junto a mim, este perfume que aflora do meu leito mantêm imortal o momento que tanto desejámos.
Recordo que também tu chegaste à minha vida durante a Primavera, trazias em ti a luz dos dias longos e a brisa do tempo ameno, fizeste florir nos meus olhos algo há muito perdido, desapareci no triste Inverno que me cercava e renasci na Primavera do teu olhar.
Era chegado o tempo de renascimento, as flores rebentavam invadindo tudo ao redor de cor, os pássaros entoavam cânticos de harmonia e todos se distraiam pelas mudanças essenciais da estação, enquanto isso nós éramos espectadores e actores principais na Primavera de nossas vidas, descobrindo suavemente o que começara a florescer em nós.
Bem sei que me dizes que saudades não se podem ter muitas, também sabes que eu discordo plenamente, para mim tudo deve ser vivido com loucura e intensidade … ter só um pouco de saudades empobrece as memórias invocadas de momentos passados.
Eu tenho muitas, tenho saudades infinitas daquelas que dilaceram o ser, saudades dessa Primavera em que despontaste na minha vida, em que foste todos os lugares que não conheci, todas as músicas que não ouvi e todas as palavras que nunca escrevi…
Sento-me sobre a cama onde me fizeste tua pela última vez numa triste manhã de Inverno, a saudade emerge dos meus olhos, caem gotas salgadas que se misturam com o teu aroma nos lençóis de cetim imortalizando o momento que tanto receámos…
É chegado o tempo de renascimento, é tempo de arrumar a casa e substituir o velho pelo novo, porque embora a janela do meu quarto recrie a tela a cada ano, o espelho revela-me que as Primaveras vão passando.

 

 

(Texto criado para a Fábrica de Histórias)

Imaginado por ... Diana V. às 11:51 Elo da História
Minh'alma está...: a florir ...
20 de Janeiro de 2010

 

 

Slipping through my fingers ABBA

 

Schoolbag in hand, she leaves home in the early morning
Waving goodbye with an absent-minded smile
I watch her go with a surge of that well-known sadness
And I have to sit down for a while
The feeling that I’m losing her forever
And without really entering her world
I’m glad whenever I can share her laughter
That funny little girl

Slipping through my fingers all the time
I try to capture every minute
The feeling in it
Slipping through my fingers all the time
Do I really see what’s in her mind
Each time I think I’m close to knowing
She keeps on growing
Slipping through my fingers all the time

Sleep in our eyes, her and me at the breakfast table
Barely awake, I let precious time go by
Then when she’s gone there’s that odd melancholy feeling
And a sense of guilt I can’t deny
What happened to the wonderful adventures
The places I had planned for us to go
(slipping through my fingers all the time)
Well, some of that we did but most we didn’t
And why I just don’t know

Slipping through my fingers all the time
I try to capture every minute
The feeling in it
Slipping through my fingers all the time
Do I really see what’s in her mind
Each time I think I’m close to knowing
She keeps on growing
Slipping through my fingers all the time

Sometimes I wish that I could freeze the picture
And save it from the funny tricks of time
Slipping through my fingers...

Slipping through my fingers all the time

Schoolbag in hand she leaves home in the early morning
Waving goodbye with an absent-minded smile...

 

Letra da música Slipping Through My Fingers ABBA

 

Imaginado por ... Diana V. às 22:13 Elo da História
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17 de Janeiro de 2010

 

 
João e Francisca casaram. Ela achava que tinha finalmente encontrado o homem perfeito, ele também pensava o mesmo, achava-se perfeito
Tinham uma casa exemplar, impecávelmente organizada e limpa. Ele não suportava a desordem, ela esforçava-se para o manter feliz numa harmonia ordenada, com cheiro a alfazema e lixívia.
O roupeiro era ordenado por cores, os talheres limpos com álcool, não se usavam sapatos dentro de casa e os lençóis eram mudados duas vezes por semana.
João achava perfeito, Francisca sentia-se cansada.
Esforçava-se para o agradar, ele ficava feliz naquela ordem, a desordem destabilizava-o, despertava-lhe uma imensa ira e endurecia-lhe as palavras.
Sabia perfeitamente o que dizer para que ela entendesse como era imperfeita. Como falhava no básico, como era incapaz de fazer o essencial, quando ela não compreendia os argumentos dele, era forçado a demonstrar-lhe fisicamente. Arrastava-a pelo chão indevidamente limpo, esfregava-lhe o rosto no pó sobre os móveis. João amava Francisca, queria o melhor para ela, acreditava fielmente que um dia seria tão perfeita como ele.
Francisca chorava todos os dias, mas fazia-o sozinha, as emoções eram a clara evidência da sua imperfeição humana.
Empenhava-se mas continuava longe de alcançar a excelência exigida. Com tanto por fazer, esqueceu-se dela, os seus cabelos loiros já não eram perfeitos, as extensas unhas já não estavam extraordinariamente coloridas, o corpo jovem apresentava os sinais de derrota.
Certo dia, nas lides usuais, Francisca encontrou o álbum com as fotos de fim de curso. Como era perfeito o seu sorriso, o cabelo apanhado num elástico colorido e as roupas desalinhadas.
Correu para o espelho impecavelmente brilhante e viu o seu reflexo baço, tentou limpar mas a manchas negras que o seu rosto reflectia, não desapareciam.
Inspirou fundo, sentiu o aroma a alfazema e lixívia, e decidiu que dali em diante tudo seria perfeito.
Escolheu a cave, pois não queria desarrumar a casa, estendeu no chão o plástico que usava para pintar, assim não se sujava, mesmo sendo na cave, ele podia zangar-se.
Limpou meticulosamente com álcool cada instrumento que achava ser necessário, distribuiu ordenadamente cada um deles em cima da bancada previamente limpa.
Preparou-se com esmero, um banho de imersão para retirar os vestígios de pó do corpo, lembrou-se de utilizar o sabonete neutro, sem cheiros estranhos que o incomodassem. Deixou-se ficar nua, a pele é facilmente lavável, a roupa não.
Francisca esperou por João.
Quando chegou, agradou-lhe a tão perfeita mulher que o aguardava, na casa extremamente perfeita que tinham, cedeu ao desejo dela, retirou as roupas e deixou que lhe colocasse nos olhos o lenço que tinha lavado de manhã.
Levou-o até à cave, em cima do plástico que cobria o chão, aproximou o corpo dela do dele, sim, eram perfeitos.
Pegou no primeiro instrumento que estava na bancada, enquanto unia os lábios dela aos dele utilizou-o naquele corpo exemplar. Sentiu-o libertar um gemido, audaciosamente, continuou a repetir o gesto. Sentia o líquido quente e cheio de vida a escorrer pelo metal frio, pingava sobre o plástico numa melodia perfeita de silêncio.
Retirou-lhe a venda para que a visse, perfeita, ele olhava-a, mexia os lábios sem conseguir articular palavra. Francisca beijou-o, disse que o amava enquanto desferia o último golpe.
Agora sim João era um homem perfeito, contemplou o corpo exemplar que jazia sobre o sangue quente, ela sempre gostara de vermelho, mas ele achava que era uma cor berrante.
Os olhos vazios já não continham vida, nem ira e as mãos inertes jamais voltariam a manchar o seu rosto.
Cuidadosamente, utilizou o segundo instrumento, a cada machadada surgiam partes exemplares, colocou-as separadas em embalagens apropriadas e selou a vácuo. Guardou na geleira, e transportou até lá onde estaria perfeitamente escondido.
Limpou tudo com esmero e perfeição, ele se visse, sentir-se-ia orgulhoso. Colocou a fotografia encontrada no dia anterior em lugar bem visível, no espelho apareceram manchas com o tempo, mas o seu rosto brilhava mais do que nunca.

 

 

Texto Ficticio para FÁBRICAdeHISTÓRIAS por Diana V.

Imaginado por ... Diana V. às 19:42 Elo da História
Minh'alma está...: Bloody Mary
15 de Janeiro de 2010




"Vem por aqui" dizem-me alguns com olhos doces,
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom se eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui"!
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos meus olhos, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...

A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha mãe.

Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...

Se ao que busco saber nenhum de vós responde,
Por que me repetis: "vem por aqui"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...

Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis machados, ferramentas, e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátrias, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios.
Eu tenho a minha Loucura!

Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...

Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou,
Sei que não vou por aí.

José Régio

(imagem retirada da internet)
Imaginado por ... Diana V. às 19:04 Elo da História
Minh'alma está...: Conforme as letras
09 de Janeiro de 2010

 

O Verão desafiava-a, provocador e ardente tocava-a violentamente em rasgos de calor. Caminhava ligeira, pela pressa de chegar, ao refúgio de uma sombra.
A esplanada junto à praia da Sereia, era o local ideal, agradável, pouco movimentado e com uma paisagem sublime. Ali podia refrescar-se com uma bebida bem gelada e encontrar a paz necessária para recuperar de um dia agitado.
Após o pedido, elegeu a mesa com melhor vista, podia contemplar o mar que se prolongava num azul infinito, até à mística linha onde céu e mar se beijam.
Escolheu uma das cadeiras de madeira já gasta pelo sol, cobria-a um coxim amarelo para disfarçar as marcas do tempo, da mesma cor era o guarda-sol que lhe trazia a tão ambicionada sombra. Apetecia-lhe companhia, telefonou à amiga Laura, eram próximas e muito parecidas, a presença dela revitalizava-a, por certo viria.
Aquele lugar despertava recordações longínquas, foram tantas as vezes que serviu de ponto de encontro para eles, ali trocavam palavras apaixonadas, partilhavam bebidas e confissões ao som do mar.
Enquanto deslizava os dedos finos, pelo copo gelado, num gesto repetitivo, o pensamento vagueava pelo imenso mar, a cada onda que embatia nos rochedos, afastava-se dali.
Lentamente aquele dia voltava à lembrança, estiveram juntos, naquele mesmo local, antes...
 
- Tenho uma surpresa para ti, minha querida. Sinto que vais adorar.
- Agora deixaste-me curiosa, o que é …?
- Confias…?
- Confio …
Caminharam de mãos dadas pelo paredão, a cumplicidade estava presente mesmo nos momentos de silêncio entre eles.
O apartamento era pequeno, os negros móveis de linhas direitas faziam contraste com cinza claro que revestia as paredes da sala, a cozinha americana, minimalista estava perfeitamente organizada, existia uma harmonia entre aquelas duas áreas tão distintas, apesar de não haver qualquer divisão entre elas.
Ele dirigiu-se à cozinha, o olhar dele brilhava e tinha um sorriso mordaz, abriu o armário e o frigorifico, tirou alguns objectos que colocou em cima da bancada.
Ela sentou-se no sofá vermelho, era amplo e o toque do tecido suave. Consegui-a vê-lo atrás do balcão da cozinha, gostava de observar a agilidade com que se movia, havia algo de canção nos movimentos dele, a cada timbre, soava dentro dela a vontade de soltar o desejo. O barulho do liquidificador acordou-a do pensamento.
- Que fazes tu afinal, posso saber…?
- Claro que sim menina, estou a preparar a tua surpresa…
- Posso saber do que se trata afinal, ou pretendes manter segredo?
- A tua sorte é que a curiosidade não mata gatas, só gatos…Champanhe com morangos, para saciar a nossa sede, é simples, duas chávenas de morangos, meia garrafa de champanhe e meia lata de leite condensado, liquidificador para triturar e está pronto! Serve-se em taças bem geladas…
- Hum … parece-me um verdadeiro néctar dos Deuses, mas duvido que seja suficiente, para saciar a sede que tenho de ti – Olhou-o com malícia, adorava provocá-lo apenas com o olhar…
Ele aproximou-se, ofereceu-lhe a bebida e sentou-se junto dela. Nada foi dito entre eles, na ausência das palavras, as emoções murmuravam segredos.
A proximidade do corpo dele deixava-a inquieta, despertava-a. Acariciou-lhe o cabelo negro com os dedos finos, manteve o olhar preso no dele, naquele negro profundo. Uniram os lábios, na liberdade de um beijo, para saciarem a sede um do outro. A língua dele doce e cálida envolve-se na dela, sôfrego procura desembaraçar-se das roupas para unir o calor dos corpos. Sente-o junto a ela, o ardor que ele emana, inflama-lhe a pele a cada toque, liberta-lhe os sentidos, fecha os olhos, morde os lábios e perde-se nele. Ávido procura alimento no peito suave, desce lentamente até ao regaço firme, detém-se no umbigo, e no adorno que o decora, levanta o olhar e sorri. O aroma da pele dela é inebriante. Ao deslizar dos lábios dele, pelo corpo em desatino, sente o âmago incendiar-se, arde e queima dentro dela uma ânsia que a consome. Desatam a paixão num abraço apertado. As mãos femininas procuram comprovar o desejo dele, sente-o…. Ele percorre-a em cada lugar recôndito. Ouve-a sussurrar de prazer. Enlouquecem, perdem o sentido, ficam totalmente vergados ao instinto e…
 
- Olá …Qual é a receita? – Pergunta Laura ao chegar.
- Champanhe com morangos … murmura
- Falava do teu sorriso, menina…
 Maria liberta uma gargalhada e responde
-Champanhe com morangos … minha querida amiga.
 
 Diana V.
 
Texto Fictício para FÁBRICAdeHISTÓRIAS 
 
Imaginado por ... Diana V. às 23:51 Elo da História
Minh'alma está...: Teaser
09 de Janeiro de 2010

Não sou anjo, princesa, nem fada …

Sou Deusa, Bruxa, Rainha
Chego p’la madrugada
Quando a lua te ilumina…
 
Se desejares vir até mim
Faz o caminho do luar
Porém, ao chegares ao fim
Não me poderás guardar
 
Estarei ao longo da jornada
Em tudo o que conseguires ver
Em excelência sagrada
Partirei ao alvorecer
 
Não te tentes, pobre diabo
Pela minha perfeição
Teres-me em cativeiro é pecado
Sou apenas ilusão …
 
É essa a minha verdade
Quão supérflua tua espera
Só existo em liberdade
Não se prende uma Quimera…
 
Diana V.
 

(imagem retirada da internet)

Imaginado por ... Diana V. às 20:28 Elo da História
23 de Dezembro de 2009

 A noite caiu escura

Sobre o meu corpo ferido
A alma rebentou de loucura
Por tudo o que poderia ter sido e não foi …
 
Gosto de observar as estrelas
Sentir o luar sobre mim…
Caminhar descalça na areia
Perder-me no mar sem fim
 
Sou a Maria das Quimeras
Nascida na poesia
Criada num sonho, alimentada de utopia
 
Não te culpes por não me ver
Se me fiz quase invisível
Nem por não conseguires compreender
O meu choro imperceptível
 
Perdoa-me se sou suave como o cetim
E te escorrego entre os dedos
Se sou escrita em latim
e envolta em segredos …
 
Liberta-me de tudo o que fomos
Deixa-me partir sem rumo, perdida
Como Fénix
Deixa-me morrer para descobrir que estou viva
 
Porém se a chaga sarar…
E a mágoa tiver fim
Sente o luar, observa as estrelas
E recorda-te de mim…

 

 

Hoje  apeteceu-me voltar a publicar este!

17/03/2009

Imaginado por ... Diana V. às 02:40 Elo da História
Minh'alma está...: à espera do arco-íris
Melodias de Minh'alma: Um pouco de céu - Mafalda Veiga
tags: ,
17 de Dezembro de 2009

 

Diria o meu amor em poesia
se para tal fosse dotada
Ai ... que versos lindos eu diria
mas de poesia não sei nada
Falar-te ia do Mar
que bate intenso nos rochedos
como a prata do luar
nos oculta mil segredos
diria que o canto da sereia 
rouba a alma do pescador 
e que em noites de lua cheia
entoa cânticos de Amor
 
Diana
Imaginado por ... Diana V. às 00:35 Elo da História
tags: ,
16 de Dezembro de 2009

 

 

De todas as que me beijaram,
De todas as que me abraçaram,
já não me lembro, nem sei...
Foram tantas as que me amaram,
Foram tantas as que eu amei.
Mas tu, que rude contraste,
Tu que jamais me abraçaste,
Tu que jamais me beijaste,
Só tu nesta alma ficaste,
De todas as que eu amei...

 

 

Fernando Pessoa

 

 

(este porque me faz sonhar)

Imaginado por ... Diana V. às 06:29 Elo da História
Minh'alma está...: a sonhar
15 de Dezembro de 2009

(imagem retirada da internet)

 

As crianças são seres humanos fantásticos, esta menina tinha de fazer uma composição sobre os seus desejos de Natal ...

 

Pensando no Natal

 

O Natal é o nascimento de Jesus.

O Natal vive-se com carinho, amizade e paz.

Eu passo o Natal com a minha mãe, com o meu pai e familia.

Espero que este Natal seja com muita alegria, carinho e amizade.

O que desejo mais é estar com companhia, amor, alegria e amizade.

Eu quero desejar um bom Natal para todos.

Jesus nasceu, morreu, mas ressuscitou.

 

por B.(8 anos)

 

O que ela mais deseja não são Barbies, Nancys ou Bratz ... É companhia, amor, alegria e amizade.

Deseja que o Natal seja para todos, como é para ela...

Jesus nasceu, morreu ... mas ressuscitou ... porque para ela tudo tem um final positivo...

Esta criança é pequena em tamanho e tão GRANDE na alma.

 

- Mãe podes ver se tenho erros ?

- Não há erro algum, está perfeito...

 

Depois voltei a mim, coloquei o coração no lugar, respirei fundo e agradeci ... Esta criança é minha e não comete erros!

 

Imaginado por ... Diana V. às 02:01 Elo da História
Minh'alma está...: elevada ao cubo
tags: , ,
12 de Dezembro de 2009

 

Sentes o desejo...?

Que desperta ao encontrar …

A ternura de um beijo…

Que te dei só com o olhar...

Sentes a carícia…?

O doce toque da minha mão…

Que te alcança sem malícia …
Em delírio e ilusão...
Sentes …? Como eu sem ti…
Fragmentos de utopia
As quimeras que teci
Enquanto minh’alma partia…

 

 

Diana V.

Imaginado por ... Diana V. às 00:30 Elo da História
Minh'alma está...: por aí
tags: ,
11 de Dezembro de 2009

 

A autora escreve de uma forma intensa e única.

Aqui fica o convite para quem ama a leitura...

Bons Autores necessitam de ser apoiados...

Eu vou! Venham também ...

Imaginado por ... Diana V. às 12:28 Elo da História
11 de Dezembro de 2009

 

Recebi este miminho da sempre tão amorosa Sindarin ...

Tenho de me definir em oito caracteristicas, confesso que  minha capacidade de sintese não é das melhores, por isso vou-me abster de colocar as ditas!(ficava aqui a noite toda ihihih)

E tenho de passar para outros ... para não estar a repetir pois os amigos em comum são muitos, deixo para quem quiser levar.

 

 

Este recebi da doce onix das rosas

Pelos mesmos motivos deixo também para quem quiser levar...

 

 

Adorei os mimos das meninas ... sinto-me MIMADA!

Imaginado por ... Diana V. às 02:40 Elo da História
Minh'alma está...: Mimada
tags:
10 de Dezembro de 2009

 

 

Hoje...

Adormecemos, corremos, para não nos atrasarmos...

Tu tinhas exame

Eu uma reunião decisiva

Voltei a correr, para chegar a tempo junto de ti...

Deste-me um abraço do tamanho do Mundo...

- Como correu o exame?

- 100% certo, tive um excelente, como correu a reunião...

- 100% Livre tenho mais tempo para te abraçar, Excelente!

Mereciamos um presente! Tivemos, flores para ti, um beijo para mim...

Chegamos por fim a casa ... dia cansativo o nosso...

Sinto a tua voz embargada, vejo as tuas lágrimas, sinto o teu abraço a implorar pelo meu...

- Mãe ... a Miffy morreu ...

Dizes-me que nunca mais vais brincar com ela, sentir o pelo macio e acariciares-lhe as orelhas...

Depois de te sentir a chorar por tanto tempo no meu colo ... dizes ...

És a minha Rainha, os teus cabelos brilham como o sol, AMO-TE...

 

                                            .... ÉS FANTÁSTICA PRINCESA ....

                                              TENHO TANTO ORGULHO EM TI!

                                                      AMO.TE ATÉ PLUTÃO ...

 

 

 

P.S. Obrigada Mana Bib's pelas palavras de conforto para a sobrinha, também tenho muito orgulho em ti e nesse coração tão grande...

Imaginado por ... Diana V. às 00:30 Elo da História
tags: , ,
04 de Dezembro de 2009

 

Não posso evitar que chova...

Mas posso sempre arranjar um Chapéu...

Assim não molho os pés à alma!

Imaginado por ... Diana V. às 00:02 Elo da História
Minh'alma está...: à chuva...
tags: ,
03 de Dezembro de 2009

 

Uma imagem vale mais que 1000 palavras!

Podia dizer tanto sobre ti ...

Dizer-te como o teu abraço cura as dores na alma...

ou como as tuas palavras aumentam o coração...

Mas deixo as palavras e parto para a acção bem ao teu jeito

PARABÉNS!!!!

@MO.TI

Imaginado por ... Diana V. às 02:18 Elo da História
Minh'alma está...: A Celebrar ...
02 de Dezembro de 2009

 

 

Os desenhos animados são sempre supreendentes...

- Confias em mim...?

- Sim ...

Haverá maior tributo ao amor, que a confiança? O desconhecido não assusta, simplesmente porque confias...

Sou uma princesa de mão estendida ao desconhecido, não, não tenho medo...

Eu confio...

 

Quimera

 

Tradução:

 

Eu posso lhe mostrar o mundo
Brilhando, reluzindo, esplêndido
Diga-me, princesa qual foi a última vez
Que você deixou o seu coração decidir?

Eu posso abrir seus olhos
Mostrar-lhe as maravilhas
De cima, dos lados, de baixo
Em um passeio no tapete mágico

Um mundo inteiramente novo
Uma nova forma de ver
Ninguém para nos dizer não
Ou para onde ir
Ou dizer que estamos apenas sonhando

Um mundo inteiramente novo
Um lugar deslumbrante como nunca vi
Mas quando eu estou aqui em cima
É claro como cristal
E percebo então que agora eu estou em um mundo inteiramente novo com você

Vistas incríveis
Sentimento indescritível
Voando, pairando, planando
Através de um infinito céu de diamante

Um mundo inteiramente novo

 

Imaginado por ... Diana V. às 01:36 Elo da História
Minh'alma está...: Confiante
Melodias de Minh'alma: Whole new world
01 de Dezembro de 2009

 

Queres saber uma coisa…?
Gosto de ti…
Quando sorris a meio das minhas alegrias ou quando choras por entre as minhas tristezas.
Queres saber uma coisa…?
Gosto de ti…
Quando me guardas no teu colo, acariciando-me o cabelo, como se continuasse criança ou quando me agarras na mão e em altiva voz me dizes para não esquecer que sou mulher.
Queres saber uma coisa…?
Gosto de ti…
Quando me limpas os arranhões nos joelhos e sopras para não arder ou quando me dizes não é nada, levanta-te que há-de passar…
Queres saber uma coisa…?
Gosto de ti …
Porque não precisam de existir porquês para gostar de ti, porque de ti gosta-se e é simples, intrínseco, inato e convicto.
 
Imaginado por ... Diana V. às 09:00 Elo da História
Minh'alma está...: algures no chão
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